sexta-feira, 1 de maio de 2015

A IMPORTÂNCIA DO GRUPO BELGO MINEIRA NA CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO URBANO DE SABARÁ



Uma cidade não é apenas uma área onde existe um aglomerado de habitações e de pessoas, nem vive apenas em função dos contigentes populacionais que nela habitam, trabalham, estudam e se divertem, ela é, sobretudo, um centro de relações de pessoas de outras áreas - campo e de outras cidades - e que vem para ela a fim de adquirir bens expostos à comercialização e usar serviços que nela são fornecidos. Há em cada cidade um relacionamento interno entre os que habitam e um relacionamento externo entre os seus habitantes e as pessoas que a procuram para negócios ou utilização de serviços, e com os habitantes de outras cidade.

1- LOCALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SABARÁ

O município de Sabará está localizado na região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), juntamente com outros treze municípios que a compõem. Limita-se ao norte com Taquaraçu de Minas, a leste com o município de Caeté, ao sul com Raposos e Nova Lima, e a oeste com os municípios de Santa Luzia e Belo Horizonte.





A cidade, está a 707 metros de altitude, tem sua posição determinada pelas coordenadas geográficas de 19º53'06'' de latitude sul e 43º48'01'' de longitude oeste.
1.1 - ASPECTOS FÍSICOS
O município de Sabará encontra-se no quadrilátero ferrífero, uma das três províncias geomorfológicas da RMBH.
O relevo da cidade caracteriza-se por uma paisagem montanhosa com fortes rupturas de declive e vales encaixados. Por outro lado, a análise geológica da área indica uma predominância de itabiritos, calcáreos dolomíticos e filitos pertencentes à Série Minas, em contato com as rochas gnáissicas da região de Belo Horizonte.
Quanto à hidrologia, Sabará está localizada na Bacia do Rio das Velhas. O município se desenvolve ao longo do Ribeirão Sabará e do próprio Rio das Velhas. A maior parcela das áreas urbanizadas do município acompanha os citados corpos d'água e ainda o Ribeirão Arrudas. As margens naturais ocupam as encostas medianas e os vales úmidos dos rios: Rio das Velhas, Ribeirão Sabará e Ribeirão Vermelho.
Quanto à vegetação, o município é coberto por dois tipos de vegetação: as matas e o cerrado. As formações arbustivas e arborescentes, representad as pela mata secundária, são compostas de árvores de porte alto ou médio, cujas copas se tocam dando a impressão de formarem uma cobertura contínua. Ocupam os vales encaixados no percurso do Rio das Velhas. Apesar da intensa devastação que sofreram, identificam hoje as linhas de maior concentração de unidade dos solos e representam quase 20% do Ribeirão Sabará.
As formações arbóreas arbustivas, representadas pelo cerrado ocupam principalmente as encostas recobertas por canga. O cerrado é uma vegetação individualizada por pequenas árvores espaçadas e tortuosas, distribuída por estratos.
Quanto ao clima, segundo a classificação climática de Gaussen e Bancouls, o clima da RMBH , portanto do município de Sabará , é considerado hipotermoxérico, no qual a temperatura do mês mais frio fica entre 15ºC a 20ºC, sofrendo a interferência constante das massas tropical e polar durante o ano todo. As temperaturas do mês mais quente ficam em torno de 21ºC e 23,4ºC, coincidindo com o período chuvoso que compreende os meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro. As temperaturas do período de inverno ficam entre 18,4ºC e 19,4ºC, sendo este período menos chuvoso os meses de março, junho julho e agosto.
1.2 - SÍTIO E MORFOLOGIA
A cidade de Sabará tem um traçado irregular que se desenvolveu ao longo do vale do Rio Sabará e entroncamento com o Rio das Velhas, estendendo-se pelas suas encostas.
O sítio apresenta uma paisagem urbana heterogênea, coexistindo traços arquitetônicos coloniais e modernos.
Com uma área total de 305 quilômetros quadrados , Sabará apresenta além das áreas urbanas da sede municipal, inúmeras áreas consideradas bairros, entre eles : Roças Grandes, Paciência, e General Carneiro, sendo esta última já conurbada com Belo Horizonte. O município contem ainda os distritos de Carvalho de Brito, Mestre Caetano e Ravena.
1.3 - ASPECTOS HISTÓRICOS DE SABARÁ

A história de Sabará guarda profundas ligações com o ciclo da mineração e o desbravamento da região pelos bandeirantes. Existem controvérsias quanto aos primeiros descobridores; alguns historiadores dizem ter sido o bandeirante Borba Gato o descobridor das paragens do Sabarabussu. Para Zoroastro Viana Passos, Sabarabussu foi uma região de limites incertos que teria sido descoberto por baianos que navegaram do Jequitinhonha até o Rio das Velhas em busca de gado.
O povoado formou-se provavelmente no fim do século XVII. As notícias da existência de ouro no rio das Velhas atraíram levas de aventureiros e mineradores que desejavam o enriquecimento rápido. A ocupação das terras não se fez de modo pacífico.
Ele foi elevado à categoria de vila por volta de 1711, denominada Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabarabussu. Cerca de três anos depois, Sabará passava à condição de sede de comarca do rio das Velhas, uma das três comarcas pioneiras de Minas Gerais. Em 1838 foi elevado à categoria de cidade.
A localização da vila, às margens do Rio das Velhas, facilitando a comunicação com outras regiões, favoreceu muito a transformação de Sabará, já em princípios do século XVIII, num dos mais importantes centros comerciais da capitania.
A excepcional produção aurífera no sec. XVIII, levou Sabará a ser um dos núcleos mineradores que mais rendiam dividendos à Coroa Portuguesa.
No século XIX, apesar do processo de decadência da mineração do ouro que se verifica em toda a capitania, Sabará continua a figurar entre os municípios mineiros de maior expressão demográfica e mesmo econômica, com destacada participação também no quadro político e cultural da província.
O declínio da extração de ouro leva a população de Sabará a exercer outras atividades para sua subsistência econômica. Houve a intensificação da lavoura nas áreas circunvizinhas, a criação de pequenas indústrias, como a indústria extrativa mineral. Esta mudança no setor econômico favoreceu o aprimoramento da cidade como centro de serviços para a região em torno de si, especialmente nos campos da educação e saúde.
C om a criação da nova capital mineira em fins do século XIX, Sabará teve partes de seu território desmembrado. Em 1891 foi confirmada por lei estadual a criação do distrito sede; em 1920 o município aparece integrado por três distritos; Sabará, Raposos e Lapa Vermelha, sendo que em 1923 o município adquiriu de Caeté o distrito de Cuiabá.
Ainda nos anos 20, a instalação dos modernos altos-fornos da Companhia Siderúrgica Mineira, mais tarde Belgo Mineira, leva o município a um novo surto de progresso, abrindo perspectivas de crescimento econômico e urbano.
1.4 - O ESPAÇO E A EVOLUÇÃO URBANA DE SABARÁ

A ocupação do solo e a primitiva distribuição demográfica dos primeiros habitantes de Sabará e sua área circunvizinha decorreram, como em outras cidades mineiras, do ciclo do ouro, do surgimento de sucessivos pontos de mineração esparsos as margens de rios e córregos auríferos. Porém, o tecido urbano propriamente dito de Sabará, tal como ainda hoje, teve a sua formação a partir de dois núcleos principais: aos atuais bairros da Igreja Grande e a da Barra.
O primeiro, mais antigo, surgiu à margem direita do Rio Sabará, tendo por ponto de referência central a Matriz de Nossa Senhora da Conceição . Como prolongamento inicial, surgiria na outra margem do rio, o arraial de Tapanhoacanga, hoje Bairro de Nossa Senhora do Ö. O desenvolvimento do núcleo da Igreja Grande acompanhou a princípio a tendência natural do leito do rio, num caminho ou rua principal dele afastado o suficiente para uma necessária proteção, caminho este que corresponde à atual Rua Marquês de Sapucaí. As vias secundárias surgiram a medida que s e t ornou preciso aumentar as áreas de circulação, visto o aumento demográfico do núcleo. A formação do segundo núcleo, o Arraial e depois o Bairro da Barra, à direita do local onde se dá a confluência dos Rios Sabará e das Velhas, ocorreu alguns anos depois, mas teve seu desenvolvimento simultâneo e com mais intensidade que no primeiro núcleo.
No ano de 1711 quando se criou a vila, a sede foi instalada no núcleo da Barra, levando-o a uma consolidação urbana mais eficiente e coerente do que o núcleo da Igreja.
Com a construção, em 1871, da primeira ponte sobre o Rio das Velhas, a cidade teve mais condições de se expandir para a margem esquerda deste rio. E a construção da estrada de Ferro Central do Brasil contribuiu para a marginalização das áreas à esquerda do rio, que hoje abrigam uma população de renda mais baixa.
A construção da Cia Siderúrgica Belgo Mineira determinou um crescimento urbano para os lados do antigo Arraial Taponhocanga, onde veio localizar-se um populoso bairro operário. Mais recentemente, novos núcleos habitacionais se formam nos arredores de Sabará.
O sítio urbano não mudou muito. Localizado no vale do Ribeirão Sabará e seus morros adjacentes, estende-se linearmente da sua foz, no Rio das Velhas, até a área industrial da CSBM.
Outro centro importante é o que corresponde à área ocupada pela CSBM. O seu desenvolvimento está ligado a implantação dos bairros operários que surgiram para os trabalhadores da referida empresa.
A cidade de Sabará não é uma mancha contínua de povoamento. A evolução acima citada se refere ao distrito sede, qual foi palco de atuação mais marcante da Cia Belgo Mineira. Existem ainda o Distrito de Ravena que se encontra às margens da BR 262 sentido BH-Vitória(ES), o Distrito de Carvalho de Brito com uma parte conurbada com Belo Horizonte ( bairro Taquaril) , e o Distrito de Mestre Caetano.
2.0 - BREVE HISTÓRIA DA SIDERURGIA
O ouro extraído no Brasil e que enriqueceu a Europa foi de grande importância para o desenvolvimento do capitalismo industrial.
Com o começo do declínio do ciclo do ouro e o fortalecimento da indústria na Europa e EUA começam iniciativas de investigação para a localização dos minérios de ferro no Brasil, com os quais o país tentaria implementar um modelo de crescimento econômico centrado na industrialização
" Depois das experiências mal sucedidas dos primeiros anos do século XIX, foi somente na década de 1890 que se fizeram novos investimentos nas indústrias siderúrgicas" (Suzigan, p 258). Foi a partir deste momento que o governo começou a nova fase de desenvolvimento da siderurgia brasileira, e dois fatores foram importantes: as pesquisas para identificação de jazidas de minério de ferro e seu teor, e o inicio de criação de toda uma de infra-estrutura até então inexistente.
Conhecida a existência de ferro em Minas Gerais, as perspectivas de sua industrialização surgem concomitantemente à necessidade de produtos siderúrgicos produzidos a preços mais baixos dos que até então ofertados. Minas Gerais tinha o minério à flor da terra e este fato por si só a fazia ter uma grande vocação de ter instalações de indústrias siderúrgicas. Por isso, Minas Gerais foi o estado pioneiro no início siderúrgico brasileiro, mesmo com precárias fábricas de ferro aqui instaladas. O governo passou então a incentivar a criação de indústrias siderúrgicas na forma de diretrizes para o desenvolvimento da indústria siderúrgica. Nem todas as iniciativas foram bem sucedidas. Muito do que se pretendia fazer ficava travado pelo congresso, e os que conseguiam dar início à produção ou produziam muito pouco ou "quebravam rapidamente" por falta de apoio financeiro. Poucas foram as usinas que se mantiveram, e, então na década de 20 o governo estabeleceu novas políticas industriais, e estabeleceu empréstimos e subsídios para que as indústrias se estabelecessem ou ampliassem. Sete empresas foram beneficiadas, porém só três tiveram sucesso: a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, a Usina Queirós Júnior e a Companhia Brasileira de Usinas Metalúrgicas. Das três, o caso mais bem sucedido foi o da Belgo Mineira.
A localização das reservas ferríferas em Minas Gerais, que provocara o "rush" dos grupos internacionais abriram largas perspectivas aos mineiros, e especificamente Sabará, contava com muitas jazidas de minério de ferro, então no início do séc. XX a United States Steel fez a primeira análise de minério de ferro em Sabará. Desenhava-se a partir daí, a inserção da industrialização do município.

3.0 - HISTÓRICO DA BELGO MINEIRA
Em 1917, estimulado pelas perspectivas abertas com a primeira grande guerra, um grupo de técnicos e capitalistas mineiros, constituiu a Cia Siderúrgica Mineira, instalando um alto forno e uma oficina mecânica em Sabará. Esta usina começou a funcionar em 1919 produzindo gusa.
Apesar de diversas iniciativas isoladas, o Brasil em 1920 ainda não produzia aço, e a própria produção de gusa ainda era muito pequena. Era clara a necessidade de se produzir o aço, e então na Europa se constituiu uma sociedade denominada "sindicato do Brasil" que tinha por objetivo empreender estudos e pesquisas que dessem a condição de se instalar indústrias siderúrgicas no Brasil.
Aqui em Minas Gerais estava radicado um técnico luxemburguês que fez um relatório sobre os recursos aqui existentes e se era viável a instalação de uma indústria siderúrgica.
Uma missão técnica foi enviada ao país e fez durante quatro meses levantamentos dos fatores existentes para a implantação de uma indústria siderúrgica. Um dos primeiros resultados dos estudos levou à aquisição de uma propriedade no município de João Monlevade, onde se dimensionou importante jazida de minério de alto teor.
Para a construção da usina de João Monlevade havia o grande problema de falta de transportes ferroviários. Até que este problema fosse resolvido, associaram-se ao grupo da Cia Siderúrgica Mineira para transformar a instalação de Sabará numa usina piloto, destinada a treinar pessoal, a conhecer melhor as matérias primas nacionais e a produzir matérias para a construção da nova usina de João Monlevade.
Assim, a 11 de dezembro de 1921, a Cia Siderúrgica Mineira, associada com capitais e técnicos europeus representados pela Arbed (Acieries Reunies de Burbach- Eich-Dudelang, consórcio industrial europeu) transformou-se em Cia Siderúrgica Belgo Mineira.
A expansão da Usina de Sabará teve a ajuda do governo federal que concedeu isenções de impostos e ainda um empréstimo de 1800 contos.
Em 1925 entra em operação o 1º forno SM para a produção de aço e uma trefilaria de arames e máquinas de produção de pregos em Sabará. Somente em 1935, com a inauguração do ramal ferroviário de Santa Bárbara a São José da Lagoa (Nova Era), foi iniciada a construção da usina de João Monlevade.
Na final da década de 20, a Belgo Mineira já era a maior fabricante de aço do país, mas para Martins (1973, p214) a importância da Belgo Mineira não estava na sua capacidade de produção, mas ela foi de grande importância para a siderurgia brasileira pelo fato de que venceu a resistência dos grandes grupos siderúrgicos internacionais no sentido de participar do desenvolvimento desta indústria no Brasil.
Na década de 30 a Belgo, com a conclusão da estrada de ferro entre Monlevade e Belo Horizonte, funda a usina de Monlevade. Ela entra em funcionamento na década de 40 e se torna o maior complexo siderúrgico integrado da América do Sul e também a maior usina siderúrgica integrada a base de carvão vegetal do mundo.
4.0 - A BELGO MINEIRA E A CIDADE DE SABARÁ

O Grupo Belgo Mineira, é de suma importância para a história recente do município de Sabará. Devido à sua proximidade com a capital e por ter matéria prima, o município teve papel importante na história da siderurgia nacional e na consolidação da Belgo Mineira.
Sabará sempre teve sua economia baseada no setor industrial. Antes importância da mineração e garimpagem de ouro, e, numa fase mais recente com a chegada da Cia Siderúrgica Belgo Mineira.
Na fase de transição entre o fim da mineração e garimpagem de ouro e a chegada da Belgo Mineira, a cidade passou por um longo período de estagnação econômica sendo que eram os pequenos comerciantes eram que movimentavam a economia da cidade. Nos últimos decênios do século XIX os habitantes da cidade dedicavam-se ao fabrico dos tecidos de algodão e diversas artes. Com a chegada da empresa, novas perspectivas de crescimento econômico também vieram junto.
A cidade careceu muito da CSBM ao longo dos anos para se expandir, crescer e se modernizar. A indústria contribui de várias formas, às vezes direta e noutras indiretamente, para a manutenção e/ou prosperidade do município , sendo que os campos de atuação vão desde a educação, saúde, infra estrutura, etc.
Desde ao início da implantação da Belgo Mineira na cidade, as transformações nela verificada foram expressivas. De fato, a cidade não oferecia nenhuma infra-estrutura necessária a instalação de uma empresa de porte para aquela época. Em verdade, a própria empresa teve criar uma estrutura e produzir o espaço a sua volta necessários a sua atuação. Ela criou bairros para os operários, construiu o hospital, escola, assim como subsidiava compra de bens como fogões, televisões, geladeiras, que a empresa comprava e vendia aos empregados de forma facilitada, também pavimentou e abriu ruas, enfim, todas as condições necessárias para que se pudesse cativar a vinda de mão de obra.
Pude ouvir de alguns moradores mais antigos, que com a entrada da empresa na cidade, o pequeno comércio existente simplesmente morreu. Justifica-se tal acontecimento pelo fato de que a empresa oferecia bons salários e os pequenos comerciantes fechavam seus negócios para irem trabalhar na Usina.
A empresa cumpria na época o papel do Estado na cidade. Tudo o que se via de desenvolvimento tinha carregava a marca da empresa. Se já não bastassem as obras feitas e assistências oferecidas ao município, o fato de empregar muitos funcionários que na maioria eram moradores do município e mudar o panorama econômico da cidade já mostra o quanto importante a empresa se tornou para o município.
Todo este interesse em criar esta infra estrutura estava no fato de que a "ARBED ( Acieries Reunies de Burbach_Eich-Dudelange), empresa que se uniu ao falido grupo mineiro dono da antiga Cia Siderúrgica Mineira, sendo um dos maiores trustes internacionais do aço, visse interesse apenas em apossar das reservas minerais do Brasil e impedir que outro concorrente estrangeiro se instalasse aqui." (Dinis, p28). O fato é que em 1926 a empresa quase encerrou suas atividades devido a precariedade do funcionamento, mas com as pressões do governo brasileiro e o medo de um concorrfente estrangeiro aqui se instalar motivaram a expansão da empresa. Vê-se aí que o todo o interesse de criação de infra estrutura não era nenhuma benevolência.
Com o passar dos anos e com a estabilização da empresa, a arrecadação fiscal obtida pelo município através do grupo Belgo passou a ser de grande importância e deu condições a prefeitura de ter uma atuação mais percebida, e propiciar à cidade um crescimento.
Até a década de 70, a Belgo Mineira era a mais importante fonte de empregos e arrecadação da cidade, segundo dados da prefeitura municipal, e com isto a população economicamente falando, vivia em função dela. Tem-se notícia que nas décadas passadas, o nível de vida dos trabalhadores era melhor porque a concorrência era menor e se podia pagar mais e ainda ajudar os funcionários. As famílias com filhos homens já cresciam sabendo que os filhos iriam trabalhar na CSBM, tal como os pais, e o simples fato de trabalhar na Belgo já dava ao indivíduo um certo grau de confiabilidade.
Com o passar dos anos, apesar do crescimento da siderurgia e dos constantes avanços tecnológicos, ocorreram crises no setor siderúrgico, greves, acontecimentos de ordem financeira a nível nacional, que fizeram com que muitos funcionários fossem demitidos. A diminuição do quadro de funcionários fez muitas vezes com que o município e os sindicatos de trabalhadores se empenhassem para a manutenção destes empregados, não só pelo fato humanitário, mas por saberem que a Belgo representa muito para o município.
Tabela 1
Número de Funcionários da Controladora Belgo Mineira - Siderúrgica nos últimos 11 anos
Ano
Empregados


1986
7395
1987
7648
1988
7609
1989
8089
1990
6924
1991
5967
1992
5426
1993
4877
1994
4507
1995
4292
1996
3678
Mesmo tendo demitido muitos funcionários, terceirizado vários setores e acabando com outros, a empresa continua investindo em tecnologia, e tem comparecido na forma de impostos para o município de forma muito significativa. Sabará ocupa a 35ª posição na arrecadação a nível estadual (1996), e o Grupo Belgo Mineira contribui com 45% do total arrecadado. ( ver tabela 1-3)
Outro fato relevante, é o de que a Usina de Monlevade e a de Contagem, apesar de não serem a matriz, são as que vem recebendo maiores investimentos. Pesquisando nos relatórios anuais da Belgo, pude constatar que os maiores investimentos em expansão e modernização não são feitos na Usina de Sabará. Não que a Usina de Sabará não receba investimentos, mas pelo que seu papel no processo de consolidação da Belgo Mineira, ela foi deixada em segundo plano. Há que se levar em conta, segundo me foi dito na CSBM, que um dos maiores entraves para o desenvolvimento da unidade de Sabará, foi a questão do transporte, que encarece muito o frete. Apesar da proximidade com Belo Horizonte, a estrada que liga a liga a capital e cheia de curvas e muito estreita, e faz com que as transportadoras recusem alguns fretes, como me foi dito, ou cobrem mais caro para percorrê-lo.
No início do ano de 1997 com as fortes chuvas que caíram, a estrada cedeu e o caminho para Belo Horizonte ficou restrito somente a pedestres que faziam uma baldeação de ônibus. Neste período, as associadas do Grupo Belgo Mineira tiveram que abrir um caminho até a BR 262 para que pudessem escoar a sua produção e receber matéria prima para continuarem produzindo. Para quem somente vê a cidade como um todo no seu sítio irregular, pode achar que o espaço físico fosse o maior obstáculo, mas quando se anda dentro da cia, pode-se notar que há muito espaço para que sejam feitas novas ampliações caso se faça necessário.
Como se pode perceber pela tabela 1, o número de funcionários vem diminuindo a cada ano. Estes números mostram que a Belgo Mineira tem um parque siderúrgico moderno, visto que mesmo diminuindo o número de funcionários, consegue aumentar a sua produção. Este é um fator de desenvolvimento e poderio tecnológico, mas, queiramos ou não, está vinculado com a diminuição de mão de obra não qualificada, assim como o peso dos encargos sociais oneram em muito a folha de pagamento da empresa.
Para o município é uma situação incômoda, porque a empresa paga seus impostos em cima do que produz, e como esta produzindo mais e com isso contribuindo mais, fica a cargo do Estado arrumar meios de criar novos empregos e incentivar a vinda de novas empresas para o município.
O Sindicato dos Metalúrgicos sempre tem aparecido cobrando da Belgo Mineira uma política mais explícita quanto aos empregos gerados, e é ele quem toma frente quando ocorrem demissões, ou algum tipo de manifestação a nível de operariado metalúrgico.
A questão social nestes tempos de globalização não pode ser esquecido. A empresa nas últimas décadas diminuiu o seu quadro de funcionários, desativou setores, e terceirizou outros tantos. Nestas modificações quem mais saiu perdendo foram os empregados. Poderia se dizer que existem muitas empreiteiras que trabalham dentro da Belgo Mineira prestando serviços a ela. Sabe-se muito bem que quando uma empresa terceiriza um setor, é porque está querendo baixar custos, acabar com os encargos sociais que pesam e por isso contrata uma empreiteira. Logicamente esta empreiteira não pagará os mesmos salários aos funcionários, porque será ela que arcará com todo o custo que o funcionário der (encargos sociais, etc). Pode-se deduzir que os salários estarão menores, e com isso o poder aquisitivo dos trabalhadores cai, e fazendo uma projeção não tão exagerada, as compras caem afetando o comércio da cidade, só para citar um fato. Tive da Belgo mineira a resposta de que às vezes ela até paga um preço maior terceirizando um setor. A explicação é de que existem setores que não interessam mais a empresa, e que não justifica ter funcionários próprios neles. Por isso se contrata uma empresa para fazer aquele trabalho que já não é mais tão relevante.
Vendo a diminuição gradativa no quadro de funcionários fica-se pensando o porquê, já que a empresa está expandido e elevando sua produção. A explicação dada pela empresa contida nos seus anuários, é quase sempre baseada no mesmo argumento: diminuição em decorrência da restruturação organizacional implementada ou algo parecido. Nada mais do que isso é explicado. Poderíamos dizer que a Belgo Mineira ajudou em muitas obras em Sabará, ela doou imóveis, terrenos, financiou casas, ajudou na conservação do meio ambiente, ajudou no desenvolvimento econômico da cidade, etc. Pois certo, ela fez tudo isto e muito mais pela cidade, porém fez quando lhe convinha, já que na época era preciso tudo isto para que ela tivesse condições de funcionar bem e prosperar. E o mais interessante de tudo isto, é que se não fosse a Belgo Mineira, certamente, sem medo de exagerar, Sabará não seria o que é hoje, apesar dos pesares. Digo do ponto de vista social, estrutural e econômico que a empresa contribui desde a sua implantação no município.
5.0 - MARCAS DO GRUPO BELGO MINEIRA NO MUNICÍPIO DE SABARÁ 5.1 - A COOPERATIVA A Belgo Mineira mantinha uma cooperativa para que os seus funcionários pudessem comprar mantimentos e obter pequenos empréstimos. As compras tinham se vencimento no pagamento do funcionários e eram debitados no contra cheque. Esta cooperativa funcionou até meados da década de 60 e depois foi desativado.
5.2 - OS BAIRROS OPERÁRIOS
Diferentemente da Inglaterra, onde surgiram as primeiras cidades industriais, e mais precisamente em Manchester, onde os bairros operários eram verdadeiras pocilgas, locais onde as pessoas moravam sem as menores condições de higiene, liberdade, tranqüilidade, prazer, etc, os bairros operários que a Belgo Mineira construiu em Sabará em nada se assemelham aos das cidades industriais inglesas, no caso as de Manchester, como descrito por F. Engels no sec. XIX.
Nas cidades industriais inglesas, a apropriação das moradias era tarefa difícil para os operários pois o poder aquisitivo é que determinava a localização das ocupações. Não que isto tenha mudado nos dias de hoje, mas como a tecnologia na época não era a que temos hoje, construir em locais de difícil acesso ou de topografia não favorável era mais trabalhoso. Havia a distinção clara e conflituosa entre a burguesia e os operários, e logicamente os melhores locais para se morar eram ocupados pela burguesia.
De forma diferente, mesmo porque a industrialização no Brasil ocorreu por fatores e modos diferentes, este tipo de procedimento não ocorreu aqui, e Sabará é um exemplo disso.
No caso específico de Sabará e da Belgo, a cia construiu primeiramente os bairros da Vila Santa Cruz num planalto perto da própria usina, e bem perto dele a Vila Michel. Os bairros tinham casas bem feitas, as ruas eram arejadas e a circulação era fácil. Não havia esgoto a céu aberto, as casas tinham um mínimo de conforto, não eram cubículos, havia ruas de acesso. As casas eram de madeira e/ou de alvenaria. As construções eram boas, visto que ainda hoje existem casas de madeira ainda em bom estado de conservação.
Na cidade nunca houve muita distinção entre burguesia e operariado, pelo menos no que se diz respeito a moradias e bairros. Até hoje não existem bairros de burguesia ou de operariados distintos e extremamente diferenciados. Por ser uma cidade histórica, e que não foi criada em função da indústria, as primeiras moradias eram no que hoje é o centro da cidade, e os bairros operários citados, um pouco mais afastados em função da topografia acidentada da cidade e em função da proximidade com a Belgo, que se alojou mais afastada, porém em terreno de topografia menos acentuada. "Assim, os trabalhadores morarão nas proximidades das indústrias porque esse local tem a externalidade positiva de ser próxima do local de trabalho e porque é mais barato, pois conta com a externalidade negativa da poluição" (Serra, 1936 p. 80). Estas externalidades citadas contribuem para a qualidade de vida do indivíduo. Realmente as moradias eram próximas da Belgo, mas neste caso específico parece que a questão do preço da terra não foi levado muito em conta porque toda uma infra estrutura teve que ser criada, e a empresa e que teve que arcar com os custos, e também se fosse o caso de baratear custos poderia-se usar o centro histórico e suas imediações já dotadas de alguma infra estrutura. Quanto a questão negativa de poluição é fato que também existia, porém, se fazia presente tanto para todos os operários, quero dizer dos de função mais simples até os engenheiros.
Todas as casas ocupadas pelos operários eram da Belgo, que as mantinha alugada aos mesmos e depois de um tempo as vendia para eles.
Uma pequena vila também foi construída para alojar os engenheiros da cia. Logicamente eram casas maiores e de melhor qualidade de que as dos operários, mas eram também próximas da Belgo e dos bairro operários.
Mesmo sendo mais para o final de Sabará, levando-se em conta quem vem de Belo Horizonte, os bairros operários são de fácil acesso e dotados de toda infra estrutura básica (água, esgoto, ruas calçadas).
Mais recentemente, no final da década de 70 em 1975, surgiu um outro bairro "operário" chamada Esplanada (na verdade se chama Dr. Valério Teixeira de Rezende) e que teve o financiamento do BNH. Este bairro foi construído num terreno que era da Belgo e que foi cedido para a construção do bairro. Todas as casas eram de alvenaria com distinção entre si pelo número de cômodos. As ruas de acesso eram arejada e calçadas.
Quando recém formado e começando a receber os primeiros moradores, o bairro não dispunha de todas as condições para se morar bem. Não existia uma linha de ônibus que fizesse o percurso do bairro ao centro, não havia coleta de lixo, não havia coleta nem entrega de cartas, a água não era da Copasa e em épocas de chuvas mais parecia barro, havia muito mato nas áreas ainda não ocupadas.
Por volta de 1978 o bairro passou a contar com uma linha de ônibus efetiva, só que ela não conseguia cumprir seus compromissos com pontualidade. Após um certo tempo e depois de negociações, o bairro passou a contar com uma linha contínua e que até hoje presta este serviço. Nesse bairro, primeiramente, moravam quase em sua maioria funcionários da Belgo que tinham vindo transferidos da cidade de João Monlevade, onde a cia tem outra unidade de siderurgia. Este bairro mostra uma modificação no espaço urbano da cidade, que teve que modificar itinerários de linhas de ônibus, criar toda uma infra estrutura para atender as necessidades dos novos moradores. Por ser próximo a bairros já existentes, estas modificações transformações foram lentas e graduais.
Até hoje neste bairro moram em sua maioria aposentados da Belgo e funcionários dela e de alguma empresa que presta serviço para ela.
No final da década de 80, um novo bairro surge para alojar operários, em sua maioria também funcionários da Belgo. É o bairro Morada da Serra. Um pouco mais afastado, e num local de topografia ruim (está situado em um vale), este bairro é composto de casas e de pequenos prédios de dois e três andares.
Este bairro até hoje sofre com alguns problemas de infra estrutura. Apesar de ser todo asfaltado, ter esgoto, linha de ônibus que o atende, tem problemas com abastecimento de água.
"A distribuição das residências no espaço produz a diferenciação social e especifica a paisagem urbana, uma vez que as características da habitação e da sua população estão na base do tipo e do nível dos equipamentos e funções que se ligam" (Castells, p. 218). Em Sabará pode-se perceber nitidamente esta diferenciação, mas ela se faz mais pelo lado físico da habitação, ou seja pela paisagem urbana, do que pela diferenciação social propriamente dita. Isto ocorre porque como acontece até hoje, os funcionários com postos mais elevados e de maior formação, tais como engenheiros, diretores, e os que poderiam diferenciar-se do resto dos trabalhadores de forma mais acentuada, não moram na cidade, geralmente moram em Belo Horizonte. Dentro dos bairros operários é claro que existe diferenciação entre as casas, umas são maiores que outras e a aquisição das mesmas depende de um poder aquisitivo um pouco maior, mas nada que faça o indivíduo não pertencer a mesma classe social ou que o diferencie de modo mais acentuado dos demais. Existem também as diferenças entre um e outro bairro, mas também não é nada tão significativo a ponto de excluir este ou aquele indivíduo.
5.3 - A FUNDAÇÃO FELIX CHOMÉ
Através da Fundação Félix Chomé é prestado auxílio financeiro a empregados e filhos de empregados da CSBM e das empresas associadas, para que tenham facilitadas a educação e instrução profissionais. São concedidas bolsas de estudos a seus empregados e familiares para cursos completos no Brasil e exterior. A Fundação até o presente ano de 1997 já concedeu 3890 bolsas de estudo.
5.4 - A EDUCAÇÃO
Perto dos bairros da Vila Santa Cruz e Vila Michel, a Belgo construiu em seus terrenos uma escola que se chama Escola Estadual Crhistiano Guimarães. Esta escola tinha pré primário e de 1ª a 4ª séries. Ela servia a todos os demais bairros que circundavam a região. Ao redor da escola existiam casas, não muitas, também pertencentes a Belgo e que eram habitadas por funcionários seus.
No final da década de 80 a Belgo precisou do terreno onde estava a escola para fazer uma expansão da usina. O local para construção da nova escola foi um campo de futebol existente no bairro Esplanada. A construção desta escola acarretou muitas mudanças na vida das crianças que nela estudam, na população do bairro, no transporte que o servia, dentre outros. A construção da nova escola ficou a cargo da Belgo. A escola com sua sede nova e maior, pode aumentar as séries oferecidas para 5ª a 8ª e posteriormente a criação do 2º grau. Este aumento beneficiou muitos alunos das redondezas que antes tinham que ir até o centro da cidade para fazer o 2º grau, e mesmo os de 5ª a 8ª que podiam fazer estas séries também mais perto de suas casas.
O transporte teve seu itinerário modificado para que passasse em frente à escola. Surgiram no bairro mais bares e pequenos comércios que pretendiam ter como alvo os estudantes da escola. A comunidade acabou recebendo uma escola, mas perdeu uma área que era de lazer e que não foi reposta até hoje. A comunidade teve que se desdobrar para suprir esta falta, e a associação do bairro tem colaborado arrumando uma quadra existente e dinamizando áreas de lazer.
O fluxo de pessoas que circulam no bairro aumentou consideravelmente, e com ele os problemas de limpeza e segurança. O trânsito de veículos aumentou, principalmente nos horários de início e término das aulas. O antes pacato bairro agora é muito movimentado e mais dinâmico, e a vinda da escola contribuiu em muito para que isso acontecesse.
Pode-se perceber que diretamente a Belgo mudou o panorama urbano de um bairro e indiretamente da cidade e fez com que outros setores se movimentassem e buscassem se interar com as novas modificações.
5.5 - O CLUBE SIDERÚRGICA
Na área de lazer, a Belgo Mineira construiu o Clube Siderúrgica que era freqüentado por seus funcionários. Era uma área de lazer com campo de futebol, ginásio poliesportivo, e quadras. A Belgo também patrocinava, ou melhor, era dona do time de futebol Esporte Clube Siderúrgica.
5.6 - A BRIGADA DE INCÊNDIO
Até alguns anos atrás, a cidade de Sabará não contava com uma equipe de corpo de bombeiros. Quando ocorria algum problema de incêndio a Brigada de Incêndio da Belgo era chamada para resolver o problema, e se fosse de proporções maiores, era requisitada a presença do corpo de bombeiros de Belo Horizonte.
5.7 - A ABEB
Em 1971 é fundada a ABEB - Associação Beneficente dos empregados da Belgo Mineira. Esta associação é de grande utilidade para toda a comunidade de operários da empresa. Ela presta bons serviços médicos e odontológicos a seus operários e dependentes. OS tratamentos são financiados pela empresa. Conta com várias farmácias que são para o uso também de não empregados.
5.8 - O PATRIMÔNIO HISTÓRICO A Belgo Mineira ajuda a cidade na preservação de seu patrimônio histórico na forma de doações em dinheiro para restaurações e manutenção dos mesmos.
5.9 - OS PROGRAMAS AMBIENTAIS
A deterioração do meio ambiente, é um dos mais graves problemas causados pela ação antrópica, e a urbanização e a industrialização caminham juntas neste processo de poluição.
Em Sabará, tanto a mineração quanto a siderurgia, contribuem para o processo destrutivo do meio ambiente, mesmo que de alguns anos até hoje este processo tenha sido minimizado e esteja sob controle.
Nestes aspectos negativos, o grupo Belgo infelizmente contribuiu e muito. A Belgo Mineira por muito tempo participou da lista suja dos poluidores do meio ambiente do estado que é elaborado pela FEAM. Como exemplo temos os resíduos industriais que eram jogados diretamente no Rio Sabará sem nenhum tratamento especial, o ar que constantemente esta infestado pela fumaça lançada pelos altos fornos, além dos problemas causados pela mineração.
Durante muitos anos a população, principalmente a que se localiza mais perto da Cia, sentiu os problemas de poluição causados pela Belgo. Em 1988 começam as obras para construção da nova estação de tratamento de água de lavagem de gás de alto forno. Em março de 1990 entrou em funcionamento (operação) a nova estação de tratamento de água utilizada na depuração de gás do alto forno em Sabará. Esta estação de tratamento se localiza na área onde antes existia a Escola Estadual Christiano Guimarães.
5.10 - A NOVA RODOVIÁRIA
As futuras instalações da nova rodoviária de Sabará estão sendo construídas num terreno em frente a Siderúrgica Belgo Mineira que pertencia a siderúrgica e que foi motivo de permuta com a prefeitura para que o projeto da nova rodoviária fosse concretizado.
6.0 DADOS COMPLEMENTARES

ÁREA TOTAL EM KM2 - ANO 1993
304.4
Fonte: IBGE
POPULAÇÃO TOTAL - PERÍODO 1992-1996
1992
1993
1994
1995
1996
91611
93313
94937

100570
Fonte: IBGE
TABELA 2
MAIORES CONTRIBUINTES VAF/94 DE SABARÁ



BELGO MINEIRA
29%
M. MORRO VELHO
28%
SAMITRI
16%
OUTRAS
7%
MAROCA & RUSSO
7%
HIPOLABOR
6%
EXP.ALVORADA
2%
PENTEC
2%
TO CONFECÇÕES
2%
BRIVEL
1%
Fonte: Prefeitura de Sabará
1
TABELA 3
PARTICIPAÇÃO DO GRUPO BELGO MINEIRA NOS IMPOSTOS EM SABARÁ



BELGO MINEIRA
29%
SAMITRI MINERAÇÃO
16%
OUTRAS
55%
Fonte: Prefeitura de Sabará


Evolução da produção da Belgo Mineira nos últimos 10 anos em toneladas
Aço Bruto
Laminados
Trefilados
1986
831
670
527
1987
825
727
547
1988
919
760
476
1989
862
-----
-----
1990
842
710,5
430,3
1991
826
721,2
440,7
1992
864,1
758,9
-----
1993
948,2
825,3
393,5
1994
1.132
975,1
440,3
1995
-----
-----
-----
1996
1.049,6
-----
-----
Fonte: Anuários da diretoria da Belgo Mineira
Ano
Empregados


1986
7395
1987
7648
1988
7609
1989
8089
1990
6924
1991
5967
1992
5426
1993
4877
1994
4507
1995
4292
1996
3678
Se confrontarmos as duas tabelas, poderemos observar que a produção da Belgo Mineira tem aumentado mesmo com a diminuição do quadro de funcionários. Se tomarmos como base o ano de 1994, veremos que foi o ano que a Belgo mais produziu aço, sendo que neste mesmo ano o número de funcionários era quase metade de 1989.
PARTICIPAÇÃO DO MUNICIPIO NA ARRECADAÇÃO ESTADUAL

Ano
Percentual


1987
0,2328
1988
0,29449
1989
0,304912
1990
0,32375
1991
0,389910
1992
0,399443
1993
0,315234
1994
0,351603
1995
0,34347
1996
0,3783
1997
0,418367
CONCLUSÃO
Diante de todas as informações históricas e os fatos que foram ocorrendo durante os anos, é difícil não vermos o papel importante da Belgo Mineira no município. Mesmo que a sua atuação tenha sido feita com o propósito capitalista, a cidade acabou ganhando muito estes anos todos. Os benefícios gerados pela empresa forma muitos, e as ações negativas foram aos poucos sendo consertadas. Por tudo isso, a Belgo Mineira tem um papel de destaque na história recente do município de Sabará.
8.0 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
CASTELLS, MANUEL. Cidade, democracia e socialismo. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1980
CSBM - Relatórios da Diretoria 1986/1996.
DINIZ, C.C., Estado e capital estrangeiro na industrialização mineira. Belo Horizonte: UFMG/PROED, 1981.
ENGELS, FRIEDRICH. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. trad. Rosa Camargo. Artigos Reginaldo Forti. São Paulo, Global, (1845), 1986.
FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO- A Região Metropolitana de Belo Horizonte, Belo Horizonte, 1973.
JORNAL DAS EMPRESAS BELGO MINEIRA, ano 3, nº 26, 1996.
MONOGRAFIA - "Uma história de Pioneirismo" , 1961.
MONOGRAFIA - "Companhia Siderúrgica Belgo Mineira", 1952.
MONOGRAFIA - "Companhia Siderúrgica Belgo Mineira", 1972.
MONOGRAFIA - "Meio Ambiente - Município de Sabará, 1983.
MONOGRAFIA - "Centro Funcional de Sabará", 1988.
PASSOS, ZOROASTRO V.- Em torno da História de Sabará. Imprensa Oficial de Minas Gerais. Belo Horizonte, 1942.
PLAMBEL - Análise do Acervo Arquitetônico e Urbanístico. Belo Horizonte, 1976/1980.
________ - Termo de Referencia : Sabará , 1982.
SERRA, GERALDO, O Espaço Natural e a Forma Urbana. São Paulo, 1987

Site internet IBGE.

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