Uma cidade não é apenas uma área onde
existe um aglomerado de habitações e de pessoas, nem vive apenas em função dos
contigentes populacionais que nela habitam, trabalham, estudam e se divertem,
ela é, sobretudo, um centro de relações de pessoas de outras áreas - campo e de
outras cidades - e que vem para ela a fim de adquirir bens expostos à
comercialização e usar serviços que nela são fornecidos. Há em cada cidade um
relacionamento interno entre os que habitam e um relacionamento externo entre
os seus habitantes e as pessoas que a procuram para negócios ou utilização de
serviços, e com os habitantes de outras cidade.
1-
LOCALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SABARÁ
O município de Sabará está localizado
na região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), juntamente com outros treze
municípios que a compõem. Limita-se ao norte com Taquaraçu de Minas, a leste
com o município de Caeté, ao sul com Raposos e Nova Lima, e a oeste com os
municípios de Santa Luzia e Belo Horizonte.
A cidade, está a 707 metros de
altitude, tem sua posição determinada pelas coordenadas geográficas de
19º53'06'' de latitude sul e 43º48'01'' de longitude oeste.
1.1
- ASPECTOS FÍSICOS
O município de Sabará encontra-se no
quadrilátero ferrífero, uma das três províncias geomorfológicas da RMBH.
O relevo da cidade caracteriza-se por
uma paisagem montanhosa com fortes rupturas de declive e vales encaixados. Por
outro lado, a análise geológica da área indica uma predominância de itabiritos,
calcáreos dolomíticos e filitos pertencentes à Série Minas, em contato com as
rochas gnáissicas da região de Belo Horizonte.
Quanto à hidrologia, Sabará está
localizada na Bacia do Rio das Velhas. O município se desenvolve ao longo do
Ribeirão Sabará e do próprio Rio das Velhas. A maior parcela das áreas
urbanizadas do município acompanha os citados corpos d'água e ainda o Ribeirão
Arrudas. As margens naturais ocupam as encostas medianas e os vales úmidos dos
rios: Rio das Velhas, Ribeirão Sabará e Ribeirão Vermelho.
Quanto à vegetação, o município é
coberto por dois tipos de vegetação: as matas e o cerrado. As formações
arbustivas e arborescentes, representad as pela mata secundária, são compostas
de árvores de porte alto ou médio, cujas copas se tocam dando a impressão de
formarem uma cobertura contínua. Ocupam os vales encaixados no percurso do Rio
das Velhas. Apesar da intensa devastação que sofreram, identificam hoje as
linhas de maior concentração de unidade dos solos e representam quase 20% do
Ribeirão Sabará.
As formações arbóreas arbustivas,
representadas pelo cerrado ocupam principalmente as encostas recobertas por
canga. O cerrado é uma vegetação individualizada por pequenas árvores espaçadas
e tortuosas, distribuída por estratos.
Quanto ao clima, segundo a
classificação climática de Gaussen e Bancouls, o clima da RMBH , portanto do
município de Sabará , é considerado hipotermoxérico, no qual a temperatura do
mês mais frio fica entre 15ºC a 20ºC, sofrendo a interferência constante das
massas tropical e polar durante o ano todo. As temperaturas do mês mais quente
ficam em torno de 21ºC e 23,4ºC, coincidindo com o período chuvoso que
compreende os meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro. As temperaturas
do período de inverno ficam entre 18,4ºC e 19,4ºC, sendo este período menos
chuvoso os meses de março, junho julho e agosto.
1.2
- SÍTIO E MORFOLOGIA
A cidade de Sabará tem um traçado
irregular que se desenvolveu ao longo do vale do Rio Sabará e entroncamento com
o Rio das Velhas, estendendo-se pelas suas encostas.
O sítio apresenta uma paisagem urbana
heterogênea, coexistindo traços arquitetônicos coloniais e modernos.
Com uma área total de 305 quilômetros
quadrados , Sabará apresenta além das áreas urbanas da sede municipal, inúmeras
áreas consideradas bairros, entre eles : Roças Grandes, Paciência, e General
Carneiro, sendo esta última já conurbada com Belo Horizonte. O município contem
ainda os distritos de Carvalho de Brito, Mestre Caetano e Ravena.
1.3
- ASPECTOS HISTÓRICOS DE SABARÁ
A história de Sabará guarda profundas
ligações com o ciclo da mineração e o desbravamento da região pelos
bandeirantes. Existem controvérsias quanto aos primeiros descobridores; alguns
historiadores dizem ter sido o bandeirante Borba Gato o descobridor das
paragens do Sabarabussu. Para Zoroastro Viana Passos, Sabarabussu foi uma
região de limites incertos que teria sido descoberto por baianos que navegaram
do Jequitinhonha até o Rio das Velhas em busca de gado.
O povoado formou-se provavelmente no
fim do século XVII. As notícias da existência de ouro no rio das Velhas
atraíram levas de aventureiros e mineradores que desejavam o enriquecimento
rápido. A ocupação das terras não se fez de modo pacífico.
Ele foi elevado à categoria de vila por
volta de 1711, denominada Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de
Sabarabussu. Cerca de três anos depois, Sabará passava à condição de sede de
comarca do rio das Velhas, uma das três comarcas pioneiras de Minas Gerais. Em
1838 foi elevado à categoria de cidade.
A localização da vila, às margens do
Rio das Velhas, facilitando a comunicação com outras regiões, favoreceu muito a
transformação de Sabará, já em princípios do século XVIII, num dos mais
importantes centros comerciais da capitania.
A excepcional produção aurífera no sec.
XVIII, levou Sabará a ser um dos núcleos mineradores que mais rendiam
dividendos à Coroa Portuguesa.
No século XIX, apesar do processo de
decadência da mineração do ouro que se verifica em toda a capitania, Sabará
continua a figurar entre os municípios mineiros de maior expressão demográfica
e mesmo econômica, com destacada participação também no quadro político e
cultural da província.
O declínio da extração de ouro leva a
população de Sabará a exercer outras atividades para sua subsistência
econômica. Houve a intensificação da lavoura nas áreas circunvizinhas, a
criação de pequenas indústrias, como a indústria extrativa mineral. Esta
mudança no setor econômico favoreceu o aprimoramento da cidade como centro de
serviços para a região em torno de si, especialmente nos campos da educação e
saúde.
C om a criação da nova capital mineira
em fins do século XIX, Sabará teve partes de seu território desmembrado. Em
1891 foi confirmada por lei estadual a criação do distrito sede; em 1920 o
município aparece integrado por três distritos; Sabará, Raposos e Lapa
Vermelha, sendo que em 1923 o município adquiriu de Caeté o distrito de Cuiabá.
Ainda nos anos 20, a instalação dos
modernos altos-fornos da Companhia Siderúrgica Mineira, mais tarde Belgo
Mineira, leva o município a um novo surto de progresso, abrindo perspectivas de
crescimento econômico e urbano.
1.4
- O ESPAÇO E A EVOLUÇÃO URBANA DE SABARÁ
A ocupação do solo e a primitiva
distribuição demográfica dos primeiros habitantes de Sabará e sua área
circunvizinha decorreram, como em outras cidades mineiras, do ciclo do ouro, do
surgimento de sucessivos pontos de mineração esparsos as margens de rios e
córregos auríferos. Porém, o tecido urbano propriamente dito de Sabará, tal
como ainda hoje, teve a sua formação a partir de dois núcleos principais: aos
atuais bairros da Igreja Grande e a da Barra.
O primeiro, mais antigo, surgiu à
margem direita do Rio Sabará, tendo por ponto de referência central a Matriz de
Nossa Senhora da Conceição . Como prolongamento inicial, surgiria na outra
margem do rio, o arraial de Tapanhoacanga, hoje Bairro de Nossa Senhora do Ö. O
desenvolvimento do núcleo da Igreja Grande acompanhou a princípio a tendência
natural do leito do rio, num caminho ou rua principal dele afastado o
suficiente para uma necessária proteção, caminho este que corresponde à atual
Rua Marquês de Sapucaí. As vias secundárias surgiram a medida que s
e t ornou preciso aumentar as áreas de
circulação, visto o aumento demográfico do núcleo. A formação do segundo
núcleo, o Arraial e depois o Bairro da Barra, à direita do local onde se dá a
confluência dos Rios Sabará e das Velhas, ocorreu alguns anos depois, mas teve
seu desenvolvimento simultâneo e com mais intensidade que no primeiro núcleo.
No ano de 1711 quando se criou a vila,
a sede foi instalada no núcleo da Barra, levando-o a uma consolidação urbana
mais eficiente e coerente do que o núcleo da Igreja.
Com a construção, em 1871, da primeira
ponte sobre o Rio das Velhas, a cidade teve mais condições de se expandir para
a margem esquerda deste rio. E a construção da estrada de Ferro Central do
Brasil contribuiu para a marginalização das áreas à esquerda do rio, que hoje
abrigam uma população de renda mais baixa.
A construção da Cia Siderúrgica Belgo
Mineira determinou um crescimento urbano para os lados do antigo Arraial
Taponhocanga, onde veio localizar-se um populoso bairro operário. Mais
recentemente, novos núcleos habitacionais se formam nos arredores de Sabará.
O sítio urbano não mudou muito.
Localizado no vale do Ribeirão Sabará e seus morros adjacentes, estende-se
linearmente da sua foz, no Rio das Velhas, até a área industrial da CSBM.
Outro centro importante é o que
corresponde à área ocupada pela CSBM. O seu desenvolvimento está ligado a
implantação dos bairros operários que surgiram para os trabalhadores da
referida empresa.
A cidade de Sabará não é uma mancha
contínua de povoamento. A evolução acima citada se refere ao distrito sede,
qual foi palco de atuação mais marcante da Cia Belgo Mineira. Existem ainda o
Distrito de Ravena que se encontra às margens da BR 262 sentido BH-Vitória(ES),
o Distrito de Carvalho de Brito com uma parte conurbada com Belo Horizonte (
bairro Taquaril) , e o Distrito de Mestre Caetano.
2.0
- BREVE HISTÓRIA DA SIDERURGIA
O ouro extraído no Brasil e que
enriqueceu a Europa foi de grande importância para o desenvolvimento do
capitalismo industrial.
Com o começo do declínio do ciclo do
ouro e o fortalecimento da indústria na Europa e EUA começam iniciativas de
investigação para a localização dos minérios de ferro no Brasil, com os quais o
país tentaria implementar um modelo de crescimento econômico centrado na
industrialização
" Depois das experiências mal
sucedidas dos primeiros anos do século XIX, foi somente na década de 1890 que
se fizeram novos investimentos nas indústrias siderúrgicas" (Suzigan, p
258). Foi a partir deste momento que o governo começou a nova fase de
desenvolvimento da siderurgia brasileira, e dois fatores foram importantes: as
pesquisas para identificação de jazidas de minério de ferro e seu teor, e o
inicio de criação de toda uma de infra-estrutura até então inexistente.
Conhecida a existência de ferro em
Minas Gerais, as perspectivas de sua industrialização surgem concomitantemente
à necessidade de produtos siderúrgicos produzidos a preços mais baixos dos que
até então ofertados. Minas Gerais tinha o minério à flor da terra e este fato
por si só a fazia ter uma grande vocação de ter instalações de indústrias
siderúrgicas. Por isso, Minas Gerais foi o estado pioneiro no início
siderúrgico brasileiro, mesmo com precárias fábricas de ferro aqui instaladas.
O governo passou então a incentivar a criação de indústrias siderúrgicas na
forma de diretrizes para o desenvolvimento da indústria siderúrgica. Nem todas
as iniciativas foram bem sucedidas. Muito do que se pretendia fazer ficava
travado pelo congresso, e os que conseguiam dar início à produção ou produziam
muito pouco ou "quebravam rapidamente" por falta de apoio financeiro.
Poucas foram as usinas que se mantiveram, e, então na década de 20 o governo
estabeleceu novas políticas industriais, e estabeleceu empréstimos e subsídios
para que as indústrias se estabelecessem ou ampliassem. Sete empresas foram
beneficiadas, porém só três tiveram sucesso: a Companhia Siderúrgica Belgo
Mineira, a Usina Queirós Júnior e a Companhia Brasileira de Usinas
Metalúrgicas. Das três, o caso mais bem sucedido foi o da Belgo Mineira.
A localização das reservas ferríferas
em Minas Gerais, que provocara o "rush" dos grupos internacionais
abriram largas perspectivas aos mineiros, e especificamente Sabará, contava com
muitas jazidas de minério de ferro, então no início do séc. XX a United States
Steel fez a primeira análise de minério de ferro em Sabará. Desenhava-se a
partir daí, a inserção da industrialização do município.
3.0 - HISTÓRICO DA BELGO MINEIRA
Em 1917, estimulado pelas perspectivas abertas
com a primeira grande guerra, um grupo de técnicos e capitalistas mineiros,
constituiu a Cia Siderúrgica Mineira, instalando um alto forno e uma oficina
mecânica em Sabará. Esta usina começou a funcionar em 1919 produzindo gusa.
Apesar de diversas iniciativas
isoladas, o Brasil em 1920 ainda não produzia aço, e a própria produção de gusa
ainda era muito pequena. Era clara a necessidade de se produzir o aço, e então
na Europa se constituiu uma sociedade denominada "sindicato do
Brasil" que tinha por objetivo empreender estudos e pesquisas que dessem a
condição de se instalar indústrias siderúrgicas no Brasil.
Aqui em Minas Gerais estava radicado um
técnico luxemburguês que fez um relatório sobre os recursos aqui existentes e
se era viável a instalação de uma indústria siderúrgica.
Uma missão técnica foi enviada ao país
e fez durante quatro meses levantamentos dos fatores existentes para a
implantação de uma indústria siderúrgica. Um dos primeiros resultados dos
estudos levou à aquisição de uma propriedade no município de João Monlevade,
onde se dimensionou importante jazida de minério de alto teor.
Para a construção da usina de João
Monlevade havia o grande problema de falta de transportes ferroviários. Até que
este problema fosse resolvido, associaram-se ao grupo da Cia Siderúrgica
Mineira para transformar a instalação de Sabará numa usina piloto, destinada a
treinar pessoal, a conhecer melhor as matérias primas nacionais e a produzir
matérias para a construção da nova usina de João Monlevade.
Assim, a 11 de dezembro de 1921, a Cia
Siderúrgica Mineira, associada com capitais e técnicos europeus representados
pela Arbed (Acieries Reunies de Burbach- Eich-Dudelang, consórcio industrial
europeu) transformou-se em Cia Siderúrgica Belgo Mineira.
A expansão da Usina de Sabará teve a
ajuda do governo federal que concedeu isenções de impostos e ainda um
empréstimo de 1800 contos.
Em 1925 entra em operação o 1º forno SM
para a produção de aço e uma trefilaria de arames e máquinas de produção de
pregos em Sabará. Somente em 1935, com a inauguração do ramal ferroviário de
Santa Bárbara a São José da Lagoa (Nova Era), foi iniciada a construção da
usina de João Monlevade.
Na final da década de 20, a Belgo
Mineira já era a maior fabricante de aço do país, mas para Martins (1973, p214)
a importância da Belgo Mineira não estava na sua capacidade de produção, mas
ela foi de grande importância para a siderurgia brasileira pelo fato de que
venceu a resistência dos grandes grupos siderúrgicos internacionais no sentido de
participar do desenvolvimento desta indústria no Brasil.
Na década de 30 a Belgo, com a
conclusão da estrada de ferro entre Monlevade e Belo Horizonte, funda a usina
de Monlevade. Ela entra em funcionamento na década de 40 e se torna o maior
complexo siderúrgico integrado da América do Sul e também a maior usina
siderúrgica integrada a base de carvão vegetal do mundo.
4.0 - A BELGO MINEIRA E A CIDADE DE
SABARÁ
O Grupo Belgo Mineira, é de suma
importância para a história recente do município de Sabará. Devido à sua
proximidade com a capital e por ter matéria prima, o município teve papel
importante na história da siderurgia nacional e na consolidação da Belgo
Mineira.
Sabará sempre teve sua economia baseada
no setor industrial. Antes importância da mineração e garimpagem de ouro, e,
numa fase mais recente com a chegada da Cia Siderúrgica Belgo Mineira.
Na fase de transição entre o fim da
mineração e garimpagem de ouro e a chegada da Belgo Mineira, a cidade passou
por um longo período de estagnação econômica sendo que eram os pequenos
comerciantes eram que movimentavam a economia da cidade. Nos últimos decênios
do século XIX os habitantes da cidade dedicavam-se ao fabrico dos tecidos de
algodão e diversas artes. Com a chegada da empresa, novas perspectivas de
crescimento econômico também vieram junto.
A cidade careceu muito da CSBM ao longo
dos anos para se expandir, crescer e se modernizar. A indústria contribui de
várias formas, às vezes direta e noutras indiretamente, para a manutenção e/ou
prosperidade do município , sendo que os campos de atuação vão desde a
educação, saúde, infra estrutura, etc.
Desde ao início da implantação da Belgo
Mineira na cidade, as transformações nela verificada foram expressivas. De
fato, a cidade não oferecia nenhuma infra-estrutura necessária a instalação de
uma empresa de porte para aquela época. Em verdade, a própria empresa teve
criar uma estrutura e produzir o espaço a sua volta necessários a sua atuação.
Ela criou bairros para os operários, construiu o hospital, escola, assim como
subsidiava compra de bens como fogões, televisões, geladeiras, que a empresa
comprava e vendia aos empregados de forma facilitada, também pavimentou e abriu
ruas, enfim, todas as condições necessárias para que se pudesse cativar a vinda
de mão de obra.
Pude ouvir de alguns moradores mais
antigos, que com a entrada da empresa na cidade, o pequeno comércio existente
simplesmente morreu. Justifica-se tal acontecimento pelo fato de que a empresa
oferecia bons salários e os pequenos comerciantes fechavam seus negócios para
irem trabalhar na Usina.
A empresa cumpria na época o papel do
Estado na cidade. Tudo o que se via de desenvolvimento tinha carregava a marca
da empresa. Se já não bastassem as obras feitas e assistências oferecidas ao
município, o fato de empregar muitos funcionários que na maioria eram moradores
do município e mudar o panorama econômico da cidade já mostra o quanto
importante a empresa se tornou para o município.
Todo este interesse em criar esta infra
estrutura estava no fato de que a "ARBED ( Acieries Reunies de
Burbach_Eich-Dudelange), empresa que se uniu ao falido grupo mineiro dono da
antiga Cia Siderúrgica Mineira, sendo um dos maiores trustes internacionais do
aço, visse interesse apenas em apossar das reservas minerais do Brasil e
impedir que outro concorrente estrangeiro se instalasse aqui." (Dinis,
p28). O fato é que em 1926 a empresa quase encerrou suas atividades devido a
precariedade do funcionamento, mas com as pressões do governo brasileiro e o
medo de um concorrfente estrangeiro aqui se instalar motivaram a expansão da
empresa. Vê-se aí que o todo o interesse de criação de infra estrutura não era
nenhuma benevolência.
Com o passar dos anos e com a
estabilização da empresa, a arrecadação fiscal obtida pelo município através do
grupo Belgo passou a ser de grande importância e deu condições a prefeitura de
ter uma atuação mais percebida, e propiciar à cidade um crescimento.
Até a década de 70, a Belgo Mineira era
a mais importante fonte de empregos e arrecadação da cidade, segundo dados da
prefeitura municipal, e com isto a população economicamente falando, vivia em
função dela. Tem-se notícia que nas décadas passadas, o nível de vida dos
trabalhadores era melhor porque a concorrência era menor e se podia pagar mais
e ainda ajudar os funcionários. As famílias com filhos homens já cresciam
sabendo que os filhos iriam trabalhar na CSBM, tal como os pais, e o simples
fato de trabalhar na Belgo já dava ao indivíduo um certo grau de
confiabilidade.
Com o passar dos anos, apesar do
crescimento da siderurgia e dos constantes avanços tecnológicos, ocorreram
crises no setor siderúrgico, greves, acontecimentos de ordem financeira a nível
nacional, que fizeram com que muitos funcionários fossem demitidos. A
diminuição do quadro de funcionários fez muitas vezes com que o município e os
sindicatos de trabalhadores se empenhassem para a manutenção destes empregados,
não só pelo fato humanitário, mas por saberem que a Belgo representa muito para
o município.
Tabela 1
Número de Funcionários
da Controladora Belgo Mineira - Siderúrgica nos últimos 11 anos
|
Ano
|
Empregados
|
|
|
|
|
1986
|
7395
|
|
1987
|
7648
|
|
1988
|
7609
|
|
1989
|
8089
|
|
1990
|
6924
|
|
1991
|
5967
|
|
1992
|
5426
|
|
1993
|
4877
|
|
1994
|
4507
|
|
1995
|
4292
|
|
1996
|
3678
|
Mesmo tendo demitido muitos
funcionários, terceirizado vários setores e acabando com outros, a empresa
continua investindo em tecnologia, e tem comparecido na forma de impostos para
o município de forma muito significativa. Sabará ocupa a 35ª posição na arrecadação
a nível estadual (1996), e o Grupo Belgo Mineira contribui com 45% do total
arrecadado. ( ver tabela 1-3)
Outro fato relevante, é o de que a
Usina de Monlevade e a de Contagem, apesar de não serem a matriz, são as que
vem recebendo maiores investimentos. Pesquisando nos relatórios anuais da
Belgo, pude constatar que os maiores investimentos em expansão e modernização
não são feitos na Usina de Sabará. Não que a Usina de Sabará não receba
investimentos, mas pelo que seu papel no processo de consolidação da Belgo
Mineira, ela foi deixada em segundo plano. Há que se levar em conta, segundo me
foi dito na CSBM, que um dos maiores entraves para o desenvolvimento da unidade
de Sabará, foi a questão do transporte, que encarece muito o frete. Apesar da
proximidade com Belo Horizonte, a estrada que liga a liga a capital e cheia de
curvas e muito estreita, e faz com que as transportadoras recusem alguns
fretes, como me foi dito, ou cobrem mais caro para percorrê-lo.
No início do ano de 1997 com as fortes
chuvas que caíram, a estrada cedeu e o caminho para Belo Horizonte ficou
restrito somente a pedestres que faziam uma baldeação de ônibus. Neste período,
as associadas do Grupo Belgo Mineira tiveram que abrir um caminho até a BR 262
para que pudessem escoar a sua produção e receber matéria prima para
continuarem produzindo. Para quem somente vê a cidade como um todo no seu sítio
irregular, pode achar que o espaço físico fosse o maior obstáculo, mas quando
se anda dentro da cia, pode-se notar que há muito espaço para que sejam feitas
novas ampliações caso se faça necessário.
Como se pode perceber pela tabela 1, o
número de funcionários vem diminuindo a cada ano. Estes números mostram que a
Belgo Mineira tem um parque siderúrgico moderno, visto que mesmo diminuindo o número
de funcionários, consegue aumentar a sua produção. Este é um fator de
desenvolvimento e poderio tecnológico, mas, queiramos ou não, está vinculado
com a diminuição de mão de obra não qualificada, assim como o peso dos encargos
sociais oneram em muito a folha de pagamento da empresa.
Para o município é uma situação
incômoda, porque a empresa paga seus impostos em cima do que produz, e como
esta produzindo mais e com isso contribuindo mais, fica a cargo do Estado
arrumar meios de criar novos empregos e incentivar a vinda de novas empresas
para o município.
O Sindicato dos Metalúrgicos sempre tem
aparecido cobrando da Belgo Mineira uma política mais explícita quanto aos
empregos gerados, e é ele quem toma frente quando ocorrem demissões, ou algum
tipo de manifestação a nível de operariado metalúrgico.
A questão social nestes tempos de
globalização não pode ser esquecido. A empresa nas últimas décadas diminuiu o
seu quadro de funcionários, desativou setores, e terceirizou outros tantos.
Nestas modificações quem mais saiu perdendo foram os empregados. Poderia se
dizer que existem muitas empreiteiras que trabalham dentro da Belgo Mineira
prestando serviços a ela. Sabe-se muito bem que quando uma empresa terceiriza
um setor, é porque está querendo baixar custos, acabar com os encargos sociais
que pesam e por isso contrata uma empreiteira. Logicamente esta empreiteira não
pagará os mesmos salários aos funcionários, porque será ela que arcará com todo
o custo que o funcionário der (encargos sociais, etc). Pode-se deduzir que os
salários estarão menores, e com isso o poder aquisitivo dos trabalhadores cai,
e fazendo uma projeção não tão exagerada, as compras caem afetando o comércio
da cidade, só para citar um fato. Tive da Belgo mineira a resposta de que às vezes
ela até paga um preço maior terceirizando um setor. A explicação é de que
existem setores que não interessam mais a empresa, e que não justifica ter
funcionários próprios neles. Por isso se contrata uma empresa para fazer aquele
trabalho que já não é mais tão relevante.
Vendo a diminuição gradativa no quadro
de funcionários fica-se pensando o porquê, já que a empresa está expandido e
elevando sua produção. A explicação dada pela empresa contida nos seus
anuários, é quase sempre baseada no mesmo argumento: diminuição em decorrência
da restruturação organizacional implementada ou algo parecido. Nada mais do que
isso é explicado. Poderíamos dizer
que a Belgo Mineira ajudou em muitas obras em Sabará, ela doou imóveis,
terrenos, financiou casas, ajudou na conservação do meio ambiente, ajudou no
desenvolvimento econômico da cidade, etc. Pois certo, ela fez tudo isto e muito
mais pela cidade, porém fez quando lhe convinha, já que na época era preciso
tudo isto para que ela tivesse condições de funcionar bem e prosperar. E o mais
interessante de tudo isto, é que se não fosse a Belgo Mineira, certamente, sem
medo de exagerar, Sabará não seria o que é hoje, apesar dos pesares. Digo do
ponto de vista social, estrutural e econômico que a empresa contribui desde a
sua implantação no município.
5.0 - MARCAS DO GRUPO BELGO MINEIRA NO
MUNICÍPIO DE SABARÁ 5.1 - A COOPERATIVA A Belgo Mineira mantinha uma cooperativa para que os seus
funcionários pudessem comprar mantimentos e obter pequenos empréstimos. As
compras tinham se vencimento no pagamento do funcionários e eram debitados no
contra cheque. Esta cooperativa funcionou até meados da década de 60 e depois
foi desativado.
5.2 - OS BAIRROS OPERÁRIOS
Diferentemente da Inglaterra, onde
surgiram as primeiras cidades industriais, e mais precisamente em Manchester,
onde os bairros operários eram verdadeiras pocilgas, locais onde as pessoas
moravam sem as menores condições de higiene, liberdade, tranqüilidade, prazer,
etc, os bairros operários que a Belgo Mineira construiu em Sabará em nada se
assemelham aos das cidades industriais inglesas, no caso as de Manchester, como
descrito por F. Engels no sec. XIX.
Nas cidades industriais inglesas, a
apropriação das moradias era tarefa difícil para os operários pois o poder
aquisitivo é que determinava a localização das ocupações. Não que isto tenha
mudado nos dias de hoje, mas como a tecnologia na época não era a que temos
hoje, construir em locais de difícil acesso ou de topografia não favorável era
mais trabalhoso. Havia a distinção clara e conflituosa entre a burguesia e os
operários, e logicamente os melhores locais para se morar eram ocupados pela
burguesia.
De forma diferente, mesmo porque a
industrialização no Brasil ocorreu por fatores e modos diferentes, este tipo de
procedimento não ocorreu aqui, e Sabará é um exemplo disso.
No caso específico de Sabará e da
Belgo, a cia construiu primeiramente os bairros da Vila Santa Cruz num planalto
perto da própria usina, e bem perto dele a Vila Michel. Os bairros tinham casas
bem feitas, as ruas eram arejadas e a circulação era fácil. Não havia esgoto a
céu aberto, as casas tinham um mínimo de conforto, não eram cubículos, havia
ruas de acesso. As casas eram de madeira e/ou de alvenaria. As construções eram
boas, visto que ainda hoje existem casas de madeira ainda em bom estado de
conservação.
Na cidade nunca houve muita distinção
entre burguesia e operariado, pelo menos no que se diz respeito a moradias e
bairros. Até hoje não existem bairros de burguesia ou de operariados distintos
e extremamente diferenciados. Por ser uma cidade histórica, e que não foi
criada em função da indústria, as primeiras moradias eram no que hoje é o
centro da cidade, e os bairros operários citados, um pouco mais afastados em
função da topografia acidentada da cidade e em função da proximidade com a
Belgo, que se alojou mais afastada, porém em terreno de topografia menos
acentuada. "Assim, os trabalhadores morarão nas proximidades das
indústrias porque esse local tem a externalidade positiva de ser próxima do local
de trabalho e porque é mais barato, pois conta com a externalidade negativa da
poluição" (Serra, 1936 p. 80). Estas externalidades citadas contribuem
para a qualidade de vida do indivíduo. Realmente as moradias eram próximas da
Belgo, mas neste caso específico parece que a questão do preço da terra não foi
levado muito em conta porque toda uma infra estrutura teve que ser criada, e a
empresa e que teve que arcar com os custos, e também se fosse o caso de
baratear custos poderia-se usar o centro histórico e suas imediações já dotadas
de alguma infra estrutura. Quanto a questão negativa de poluição é fato que
também existia, porém, se fazia presente tanto para todos os operários, quero
dizer dos de função mais simples até os engenheiros.
Todas as casas ocupadas pelos operários
eram da Belgo, que as mantinha alugada aos mesmos e depois de um tempo as
vendia para eles.
Uma pequena vila também foi construída
para alojar os engenheiros da cia. Logicamente eram casas maiores e de melhor
qualidade de que as dos operários, mas eram também próximas da Belgo e dos
bairro operários.
Mesmo sendo mais para o final de
Sabará, levando-se em conta quem vem de Belo Horizonte, os bairros operários
são de fácil acesso e dotados de toda infra estrutura básica (água, esgoto,
ruas calçadas).
Mais recentemente, no final da década
de 70 em 1975, surgiu um outro bairro "operário" chamada Esplanada
(na verdade se chama Dr. Valério Teixeira de Rezende) e que teve o
financiamento do BNH. Este bairro foi construído num terreno que era da Belgo e
que foi cedido para a construção do bairro. Todas as casas eram de alvenaria
com distinção entre si pelo número de cômodos. As ruas de acesso eram arejada e
calçadas.
Quando recém formado e começando a
receber os primeiros moradores, o bairro não dispunha de todas as condições
para se morar bem. Não existia uma linha de ônibus que fizesse o percurso do
bairro ao centro, não havia coleta de lixo, não havia coleta nem entrega de
cartas, a água não era da Copasa e em épocas de chuvas mais parecia barro,
havia muito mato nas áreas ainda não ocupadas.
Por volta de 1978 o bairro passou a
contar com uma linha de ônibus efetiva, só que ela não conseguia cumprir seus
compromissos com pontualidade. Após um certo tempo e depois de negociações, o
bairro passou a contar com uma linha contínua e que até hoje presta este
serviço. Nesse bairro, primeiramente, moravam quase em sua maioria funcionários
da Belgo que tinham vindo transferidos da cidade de João Monlevade, onde a cia
tem outra unidade de siderurgia. Este bairro mostra uma modificação no espaço
urbano da cidade, que teve que modificar itinerários de linhas de ônibus, criar
toda uma infra estrutura para atender as necessidades dos novos moradores. Por
ser próximo a bairros já existentes, estas modificações transformações foram
lentas e graduais.
Até hoje neste bairro moram em sua
maioria aposentados da Belgo e funcionários dela e de alguma empresa que presta
serviço para ela.
No final da década de 80, um novo
bairro surge para alojar operários, em sua maioria também funcionários da
Belgo. É o bairro Morada da Serra. Um pouco mais afastado, e num local de
topografia ruim (está situado em um vale), este bairro é composto de casas e de
pequenos prédios de dois e três andares.
Este bairro até hoje sofre com alguns
problemas de infra estrutura. Apesar de ser todo asfaltado, ter esgoto, linha
de ônibus que o atende, tem problemas com abastecimento de água.
"A distribuição das residências no
espaço produz a diferenciação social e especifica a paisagem urbana, uma vez
que as características da habitação e da sua população estão na base do tipo e
do nível dos equipamentos e funções que se ligam" (Castells, p. 218). Em
Sabará pode-se perceber nitidamente esta diferenciação, mas ela se faz mais
pelo lado físico da habitação, ou seja pela paisagem urbana, do que pela
diferenciação social propriamente dita. Isto ocorre porque como acontece até
hoje, os funcionários com postos mais elevados e de maior formação, tais como
engenheiros, diretores, e os que poderiam diferenciar-se do resto dos
trabalhadores de forma mais acentuada, não moram na cidade, geralmente moram em
Belo Horizonte. Dentro dos bairros operários é claro que existe diferenciação
entre as casas, umas são maiores que outras e a aquisição das mesmas depende de
um poder aquisitivo um pouco maior, mas nada que faça o indivíduo não pertencer
a mesma classe social ou que o diferencie de modo mais acentuado dos demais.
Existem também as diferenças entre um e outro bairro, mas também não é nada tão
significativo a ponto de excluir este ou aquele indivíduo.
5.3 - A FUNDAÇÃO FELIX CHOMÉ
Através da Fundação Félix Chomé é
prestado auxílio financeiro a empregados e filhos de empregados da CSBM e das
empresas associadas, para que tenham facilitadas a educação e instrução
profissionais. São concedidas bolsas de estudos a seus empregados e familiares
para cursos completos no Brasil e exterior. A Fundação até o presente ano de
1997 já concedeu 3890 bolsas de estudo.
5.4 - A EDUCAÇÃO
Perto dos bairros da Vila Santa Cruz e
Vila Michel, a Belgo construiu em seus terrenos uma escola que se chama Escola
Estadual Crhistiano Guimarães. Esta escola tinha pré primário e de 1ª a 4ª
séries. Ela servia a todos os demais bairros que circundavam a região. Ao redor
da escola existiam casas, não muitas, também pertencentes a Belgo e que eram
habitadas por funcionários seus.
No final da década de 80 a Belgo
precisou do terreno onde estava a escola para fazer uma expansão da usina. O
local para construção da nova escola foi um campo de futebol existente no
bairro Esplanada. A construção desta escola acarretou muitas mudanças na vida
das crianças que nela estudam, na população do bairro, no transporte que o
servia, dentre outros. A construção da nova escola ficou a cargo da Belgo. A escola
com sua sede nova e maior, pode aumentar as séries oferecidas para 5ª a 8ª e
posteriormente a criação do 2º grau. Este aumento beneficiou muitos alunos das
redondezas que antes tinham que ir até o centro da cidade para fazer o 2º grau,
e mesmo os de 5ª a 8ª que podiam fazer estas séries também mais perto de suas
casas.
O transporte teve seu itinerário
modificado para que passasse em frente à escola. Surgiram no bairro mais bares
e pequenos comércios que pretendiam ter como alvo os estudantes da escola. A
comunidade acabou recebendo uma escola, mas perdeu uma área que era de lazer e
que não foi reposta até hoje. A comunidade teve que se desdobrar para suprir
esta falta, e a associação do bairro tem colaborado arrumando uma quadra
existente e dinamizando áreas de lazer.
O fluxo de pessoas que circulam no
bairro aumentou consideravelmente, e com ele os problemas de limpeza e
segurança. O trânsito de veículos aumentou, principalmente nos horários de
início e término das aulas. O antes pacato bairro agora é muito movimentado e
mais dinâmico, e a vinda da escola contribuiu em muito para que isso
acontecesse.
Pode-se perceber que diretamente a
Belgo mudou o panorama urbano de um bairro e indiretamente da cidade e fez com
que outros setores se movimentassem e buscassem se interar com as novas
modificações.
5.5 - O CLUBE SIDERÚRGICA
Na área de lazer, a Belgo Mineira
construiu o Clube Siderúrgica que era freqüentado por seus funcionários. Era
uma área de lazer com campo de futebol, ginásio poliesportivo, e quadras. A
Belgo também patrocinava, ou melhor, era dona do time de futebol Esporte Clube
Siderúrgica.
5.6 - A BRIGADA DE INCÊNDIO
Até alguns anos atrás, a cidade de
Sabará não contava com uma equipe de corpo de bombeiros. Quando ocorria algum
problema de incêndio a Brigada de Incêndio da Belgo era chamada para resolver o
problema, e se fosse de proporções maiores, era requisitada a presença do corpo
de bombeiros de Belo Horizonte.
5.7 - A ABEB
Em 1971 é fundada a ABEB - Associação
Beneficente dos empregados da Belgo Mineira. Esta associação é de grande
utilidade para toda a comunidade de operários da empresa. Ela presta bons
serviços médicos e odontológicos a seus operários e dependentes. OS tratamentos
são financiados pela empresa. Conta com várias farmácias que são para o uso
também de não empregados.
5.8 - O PATRIMÔNIO HISTÓRICO A Belgo Mineira ajuda a cidade na preservação de seu
patrimônio histórico na forma de doações em dinheiro para restaurações e
manutenção dos mesmos.
5.9 - OS PROGRAMAS AMBIENTAIS
A deterioração do meio ambiente, é um
dos mais graves problemas causados pela ação antrópica, e a urbanização e a
industrialização caminham juntas neste processo de poluição.
Em Sabará, tanto a mineração quanto a
siderurgia, contribuem para o processo destrutivo do meio ambiente, mesmo que
de alguns anos até hoje este processo tenha sido minimizado e esteja sob
controle.
Nestes aspectos negativos, o grupo
Belgo infelizmente contribuiu e muito. A Belgo Mineira por muito tempo
participou da lista suja dos poluidores do meio ambiente do estado que é
elaborado pela FEAM. Como exemplo temos os resíduos industriais que eram
jogados diretamente no Rio Sabará sem nenhum tratamento especial, o ar que
constantemente esta infestado pela fumaça lançada pelos altos fornos, além dos
problemas causados pela mineração.
Durante muitos anos a população,
principalmente a que se localiza mais perto da Cia, sentiu os problemas de
poluição causados pela Belgo. Em 1988 começam as obras para construção da nova
estação de tratamento de água de lavagem de gás de alto forno. Em março de 1990
entrou em funcionamento (operação) a nova estação de tratamento de água
utilizada na depuração de gás do alto forno em Sabará. Esta estação de
tratamento se localiza na área onde antes existia a Escola Estadual Christiano
Guimarães.
5.10 - A NOVA RODOVIÁRIA
As futuras instalações da nova
rodoviária de Sabará estão sendo construídas num terreno em frente a
Siderúrgica Belgo Mineira que pertencia a siderúrgica e que foi motivo de
permuta com a prefeitura para que o projeto da nova rodoviária fosse
concretizado.
6.0 DADOS
COMPLEMENTARES
|
ÁREA
TOTAL EM KM2 - ANO 1993
|
|
304.4
|
Fonte: IBGE
|
POPULAÇÃO
TOTAL - PERÍODO 1992-1996
|
||||
|
1992
|
1993
|
1994
|
1995
|
1996
|
|
91611
|
93313
|
94937
|
|
100570
|
Fonte: IBGE
TABELA 2
|
MAIORES
CONTRIBUINTES VAF/94 DE SABARÁ
|
|
|
|
|
|
|
|
BELGO MINEIRA
|
29%
|
|
|
M. MORRO VELHO
|
28%
|
|
|
SAMITRI
|
16%
|
|
|
OUTRAS
|
7%
|
|
|
MAROCA & RUSSO
|
7%
|
|
|
HIPOLABOR
|
6%
|
|
|
EXP.ALVORADA
|
2%
|
|
|
PENTEC
|
2%
|
|
|
TO CONFECÇÕES
|
2%
|
|
|
BRIVEL
|
1%
|
|
Fonte:
Prefeitura de Sabará
1
TABELA 3
|
PARTICIPAÇÃO
DO GRUPO BELGO MINEIRA NOS IMPOSTOS EM SABARÁ
|
|
|
|
|
|
|
|
BELGO MINEIRA
|
29%
|
|
|
SAMITRI MINERAÇÃO
|
16%
|
|
|
OUTRAS
|
55%
|
|
Fonte:
Prefeitura de Sabará
Evolução da
produção da Belgo Mineira nos últimos 10 anos em toneladas
|
|
Aço Bruto
|
Laminados
|
Trefilados
|
|
1986
|
831
|
670
|
527
|
|
1987
|
825
|
727
|
547
|
|
1988
|
919
|
760
|
476
|
|
1989
|
862
|
-----
|
-----
|
|
1990
|
842
|
710,5
|
430,3
|
|
1991
|
826
|
721,2
|
440,7
|
|
1992
|
864,1
|
758,9
|
-----
|
|
1993
|
948,2
|
825,3
|
393,5
|
|
1994
|
1.132
|
975,1
|
440,3
|
|
1995
|
-----
|
-----
|
-----
|
|
1996
|
1.049,6
|
-----
|
-----
|
Fonte:
Anuários da diretoria da Belgo Mineira
|
Ano
|
Empregados
|
|
|
|
|
1986
|
7395
|
|
1987
|
7648
|
|
1988
|
7609
|
|
1989
|
8089
|
|
1990
|
6924
|
|
1991
|
5967
|
|
1992
|
5426
|
|
1993
|
4877
|
|
1994
|
4507
|
|
1995
|
4292
|
|
1996
|
3678
|
Se confrontarmos as duas tabelas,
poderemos observar que a produção da Belgo Mineira tem aumentado mesmo com a
diminuição do quadro de funcionários. Se tomarmos como base o ano de 1994,
veremos que foi o ano que a Belgo mais produziu aço, sendo que neste mesmo ano
o número de funcionários era quase metade de 1989.
PARTICIPAÇÃO DO MUNICIPIO NA
ARRECADAÇÃO ESTADUAL
|
Ano
|
Percentual
|
|
|
|
|
1987
|
0,2328
|
|
1988
|
0,29449
|
|
1989
|
0,304912
|
|
1990
|
0,32375
|
|
1991
|
0,389910
|
|
1992
|
0,399443
|
|
1993
|
0,315234
|
|
1994
|
0,351603
|
|
1995
|
0,34347
|
|
1996
|
0,3783
|
|
1997
|
0,418367
|
CONCLUSÃO
Diante de todas as informações históricas e os fatos que
foram ocorrendo durante os anos, é difícil não vermos o papel importante da
Belgo Mineira no município. Mesmo que a sua atuação tenha sido feita com o
propósito capitalista, a cidade acabou ganhando muito estes anos todos. Os
benefícios gerados pela empresa forma muitos, e as ações negativas foram aos
poucos sendo consertadas. Por tudo isso, a Belgo Mineira tem um papel de
destaque na história recente do município de Sabará.
8.0 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
CASTELLS, MANUEL. Cidade, democracia e
socialismo. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1980
CSBM - Relatórios da Diretoria
1986/1996.
DINIZ, C.C., Estado e capital
estrangeiro na industrialização mineira. Belo Horizonte: UFMG/PROED, 1981.
ENGELS, FRIEDRICH. A situação da classe
trabalhadora na Inglaterra. trad. Rosa Camargo. Artigos Reginaldo Forti. São
Paulo, Global, (1845), 1986.
FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO- A Região
Metropolitana de Belo Horizonte, Belo Horizonte, 1973.
JORNAL DAS EMPRESAS BELGO MINEIRA, ano
3, nº 26, 1996.
MONOGRAFIA - "Uma história de
Pioneirismo" , 1961.
MONOGRAFIA - "Companhia
Siderúrgica Belgo Mineira", 1952.
MONOGRAFIA - "Companhia
Siderúrgica Belgo Mineira", 1972.
MONOGRAFIA - "Meio Ambiente -
Município de Sabará, 1983.
MONOGRAFIA - "Centro Funcional de
Sabará", 1988.
PASSOS, ZOROASTRO V.- Em torno da
História de Sabará. Imprensa Oficial de Minas Gerais. Belo Horizonte, 1942.
PLAMBEL - Análise do Acervo
Arquitetônico e Urbanístico. Belo Horizonte, 1976/1980.
________ - Termo de Referencia : Sabará
, 1982.
SERRA, GERALDO, O Espaço Natural e a
Forma Urbana. São Paulo, 1987
Site internet IBGE.
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