· INTRODUÇÃO
Os
Estados Unidos detêm hoje o índice de maior produtividade agrícola do planeta.
Apesar de empregarem apenas 3% de sua População Economicamente Ativa nesse
setor, são o maior produtor e exportador mundial. Essa grande produtividade
foi, em boa parte, resultado do estreitamento na relação entre a agricultura e
a indústria, com a conseqüente intensificação do processo de mecanização do
setor agrícola. É para caracterizar essa forte integração entre os setores
agrícola e industrial que surgiu a expressão industrialização da agricultura ou
agricultura industrializada. Esses aspectos serão analisados no estudo a
seguir.
Estados Unidos
: uma agricultura poderosa.
a) A especialização da produção agrícola no
espaço territorial dos Estados Unidos.
A
agricultura dos Estados Unidos é a mais moderna do mundo. Apresenta produção e produtividade elevadas, e
é grande exportadora de alimentos. No avanço da agricultura para o oeste, o
espaço territorial dos Estados Unidos foi sendo organizado em faixas, segundo o
tipo de produto cultivado. Essas faixas recebem o nome de belts, ou seja,
"cinturões":
· cotton belt – cinturão do algodão;
· corn belt – cinturão do milho;
· dairy belt – cinturão de criação de gado leiteiro
e de produtos derivados
do leite;
· milk belt – cinturão do leite (pecuária leiteira);
· wheat belt – cinturão do trigo;
· ranching belt – cinturão da pecuária extensiva.
Na
criação desses "cinturões", as condições de solo e de clima exerceram
bastante influência. Por exemplo, algodão, cana-de-açúcar, arroz e outros
produtos tropicais ficaram localizados no sul do território; o trigo, nas
planícies centrais; a criação extensiva de gado estabeleceu-se a oeste das
planícies centrais, onde o clima vai-se tornando cada vez mais seco – é onde se
localizam as propriedades rurais de maior dimensão e onde se formaram os
grandes ranchos, ou seja, extensas propriedades de criação de gado.
O
peso ou influência da proximidade do
mercado consumidor fez surgir em todo
nordeste , no leste e na região dos Grandes Lagos a pecuária leiteira, granjas,
a agricultura de jardinagem (hortaliças, legumes)e a fruticultura. Já no oeste
(na Califórnia), em vista do baixo índice pluviométrico, praticam-se as
culturas irrigadas. Destaca-se, aí, a região do Grande Vale Central da
Califórnia. Dois importantes rios – o Sacramento e o São Joaquim – fornecem
água para irrigação das terras nessa região, onde são cultivados frutas,
cereais e algodão e se pratica a pecuária leiteira para abastecer os centros
urbanos . A produção dessa região é elevada: saem daí, por exemplo, cerca de
50% das frutas cítricas (principalmente
a laranja) e dos legumes produzidos nos Estados Unidos, isso indica que apesar
de certas Regiões possuírem o clima desértico existem técnicas eficientes de
irrigação.
Praticamente
todo o espaço territorial dos Estados Unidos é aproveitado pela agricultura.
Até mesmo nas regiões de clima seco (desértico) ou de baixo índice
pluviométrico ela é praticada utilizando-se um sistema de irrigação bastante
eficiente. Espalhados por todo o
país existem centros de pesquisa voltados para a agricultura e a criação de
gado. Aí são obtidas melhores mudas e sementes, são desenvolvidas novas
técnicas de produção, estocagem de produtos e comercialização, fazendo dos
Estados Unidos o principal produtor agrícola do mundo.
b) A democratização da terra ou da
propriedade da terra (estrutura fundiária)
A
forma pela qual a propriedade capitalista da terra se realiza em cada lugar do
planeta é identificada pela expressão estrutura fundiária. A estrutura
fundiária não é a mesma em todos os lugares: em países como os Estados Unidos a
propriedade da terra é, fundamentalmente, familiar e, o uso de tecnologia agrícola
é bem difundido.
Por outro lado, em países como o Brasil a
propriedade familiar está mais relacionada aos pequenos agricultores, e o uso
de tecnologia encontra-se reservado aos grandes proprietários, os
latifundiários. Em qualquer caso, porém, depende da estrutura fundiária o maior
ou menor acesso dos trabalhadores do campo à terra.
Nos
Estados Unidos, o acesso a propriedade da terra ocorreu de modo completamente
diferente do ocorrido na América Latina. No Brasil, por exemplo, as terras
pertenciam ao rei de Portugal, que as doava a quem tivesse prestado importantes
serviços à coroa. As terras doadas abrangiam áreas de grande extensão e eram
conhecidas pelo nome de sesmarias .As sesmarias deram origem ao latifúndio.
Nos
Estados Unidos, o acesso à terra foi diferente. O colonizador fixou-se com sua
família na Nova Inglaterra , em pequenas glebas, e aí desenvolveu uma
agricultura para atender às suas necessidades alimentares. A própria Lei de
Cessão de Terras (conhecida como Homestead Act), de 1862, contribuiu para uma
distribuição mais democrática da terra nos Estados Unidos. Por essa lei, quem
desejasse emigrar para aquele país receberia do governo 160 acres (1 acre
equivale a 4.047 metros quadrados) de terra no oeste, com compromisso de
cultivá-las por, pelo menos, cinco anos. Em síntese, o Homestead Act atraiu
para os Estados Unidos milhões de europeus. Favoreceu a ocupação do oeste,
propiciou a criação de um grande mercado de consumo e a formação de diversas
propriedades rurais; possibilitou, portanto, a democratização do acesso à
terra.
No
Brasil, a Lei de Terras, de 1850, feita pelos grandes proprietários rurais,
foi, na verdade, uma maneira de beneficiá-los. Essa lei, proibiu a aquisição de
terras por outro meio que não fosse a compra, liquidando as tradicionais formas
de acesso à terra no Brasil, com a ocupação, o arrendamento etc. Assim, para
comprarem a terras era necessário muito dinheiro, e quem o tinham eram os
grandes fazendeiros, que criavam artifícios para valorizar o preço da terra, impedindo
que outras pessoas a comprassem.
A
Lei de Terras foi, portanto, o meio que os grandes proprietários rurais
encontraram para concentrar as terras em suas mãos. Criou-se, assim, no Brasil,
como em toda América Latina, uma estrutura fundiária injusta, antidemocrática.
Na
América Latina 1,2% dos proprietários rurais são donos de 70% da área>total
das propriedades (no Brasil, 1,2% deles detêm 43% da área total dos
estabelecimentos rurais). Isso mostra que tanto na América Latina como no
Brasil existe uma fortíssima concentração de propriedade rural nas mãos de
poucas pessoas. E, para agravar a situação, predominam nessas áreas culturas
destinadas principalmente à exportação, enquanto o latino-americano passa fome
ou é desnutrido.
Nos
Estados Unidos, esse mesmo percentual de proprietários rurais domina apenas 11%
da superfície ocupada pela agricultura. Não existe, portanto, tão grande
concentração das terras nas mãos de poucos proprietários como na América Latina
e no Brasil, em particular. As atividades
agrárias nos Estados Unidos têm sido amplamente amparadas, desde a década de
30. Esse país foi o maior defensor da agricultura subsidiada, desde a criação
do Gatt em 1947.As críticas aos subsídios têm sido colocadas num período mais
recente (década de 80) devido ao elevado déficit público e à incapacidade do
governo americano em manter, por longo tempo, o farto apoio às atividades
agropecuárias. Além disso, as barreiras que os produtos americanos têm
encontrado em outros mercados levaram os Estados Unidos a defender a tese da
liberação dos mercados e da redução da subvenção estatal. O neoliberalismo,
nesse caso, foi a base para a fundamentação teórica contra a subvenção e o
protecionismo. Em 1990 foi instituído o
Farm Act que tinha como objetivo a diminuição do amparo governamental à
agricultura, cujos preços deveriam ser estabelecidos
progressivamente, nivelando-os aos de mercado. Pelo
Farm Act, a subvenção estatal deveria se limitar, a curto prazo, apenas aos
programas de incentivo à exportação. Entretanto, ao longo da década de 80, a
PAC (Política Agrícola Comum) européia havia caminhado no sentido inverso,
ampliando os estímulos às atividades agrícolas e a participação de seus
produtos no mercado mundial. Nessa conjuntura, os Estados Unidos reviram e
expandiram significativamente os programas de subsídio as exportações e também
à produção interna.
Uma
diferença fundamental da política agrícola norte-americana em relação à
européia e à japonesa é o fato de o governo bancar o custo da subvenção, sem
transferi-lo para o consumidor. Nos Estados Unidos, os preços do mercado
interno não são superiores aos do mercado internacional. Além disso, a
atividade agrícola norte-americana é uma atividade significativa no conjunto da
economia e da balança comercial. Os produtos agrícolas representam cerca de 14%
das exportações totais do país, enquanto na Europa eles representam 2% e no
Japão esse índice é bem próximo de zero.
·
CONCLUSÃO
Existem
três características marcantes na agricultura dos Estados Unidos: a forte
presença de empresas que atuam em vários países do mundo, particularmente na
América Central (agricultura empresarial norte-americana); a existência de
áreas agrícolas especializadas, os belts (cinturões agrícolas), onde ocorre a
predominância de um determinado produto adaptado às condições de clima e solo
de mercado; e o elevado grau de mecanização em todas as etapas do processo,
desde o cultivo até o beneficiamento do produto.
Pelo
que foi exposto, percebe-se, também, que a estrutura fundiária da América
Latina e do Brasil, comparada à dos Estados Unidos, é muito diferente pois lá o
processo histórico permitiu que houvesse uma distribuição mais democrática da
propriedade da terra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário